REVISTA VIRTUS


A cultura do genocídio (Sob o manto da normalidade) by falle criativo

Por Leandro Valquer, ilustrador da Revista Raça e nos mandou esse texto sobre preconceito cultural.
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Quem descendente africano já não flagrou um eurocentrado mudando de calçada ao notar sua presença?

Que negro já não se sentiu espionado e discretamente perseguido injustamente nos corredores de um supermercado?
Qual desses não se sente subjugado diariamente pelos discursos racistas do meios de comunicação oficiais,sobretudo o discurso das telenovelas?

É banal e corriqueira essa prática cotidiana, que explica o alto índice de hipertensos na população negra.
É uma prática intrínseca ao sistema capitalista, pois capitalismo e o racismo são siameses inseparáveis. Aliás,já dizia Malcom X que “não há capitalismo sem racismo”.

E ao que me parece tudo no planeta justifica esse hábito tão lucrativo, cabeças de  jovens negros nas periferias são cortadas e exibidas no pelourinho eletrônico brindadas com luxuosas taças de alienação com plimplim e tudo.

Empregos são negados, primeiramente porque a escola pública não funciona( ou funciona perfeitamente para o interesse de alguns),então, como capacitar força de trabalho sem educação de qualidade?

Segundo, o olhar dos empregadores vê através da lente racista do capital,quero dizer que  negro é impedido de ser negro,mulheres para uma “boa aparência” tem que alisar o cabelo, homens tem que raspar a cabeça, a miscigenação é estimulada como redenção genética, embranquecimento salva. a cultura é “esquecida” em nome da sobrevivência.

O indivíduo é duplamente atingido tentando viver a cultura consumista do capital, (lembrando que:  pra isso foi abolida a escravidão) uma cultura que não é a sua,e ao mesmo tempo não podendo vivê-la integralmente, já que não pertence à classe burguesa, perde completamente a referência, pois para tentar viver a cultura do capital tem que rejeitar a própria, sob o policiamento interno do desejo ardente por mercadorias descartáveis.

A respeito do policiamento externo, da cultura genocida, confesso que já tive um 38 cano- longo enfiado na minha cinta, por experientes soldados da ROTA.

Um revólver que certamente me incriminaria por um ou mais assassinatos que eu não cometi. Me incriminaria se, por sorte, minha Santa Mãe não aparecesse no portão de casa na hora H, para responder que eu morava realmente alí, pergunta que eu já havia respondido uma dezena de vezes para ouvidos moucos.

Eu e meu amigo (Adriano)


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