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Design Gráfico Cambiante: Polimorfo e amorfo. by falle criativo

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Definição de cambiante: que passa por mudanças, flexível, que varia, que não é definido. Aquilo que se modifica.

Por definição, o design cambiante não pode ser definido. É polimorfo. É amorfo.

Surgiu durante as mudanças de conceitos entre o Modernismo e Pós-Modernismo, mas analisando a história do design gráfico de uma maneira mais intensa, podemos notar que ele sempre esteve lá para o olho mais apurado. O design cambiante segue o caminho de nossa própria história pois acompanha as mudanças não só da estrutura gráfica, mas do próprio ser humano. Se nossa cultura muda, invariavelmente nossas percepções em relação ao design mudam, fundindo-se com o ritmo desse desenvolvimento. É o acompanhamento da flexibilização não apenas do físico, mas do mental. Cambiar é estar sempre em transformação, sempre recebendo influências e referências, remoldando nosso pensamento, retrabalhando a aplicabilidade em tudo, até no design gráfico.

Mas como aplicar essas possibilidades num mundo onde o design cada vez mais explora a reprodução contínua da marca com limites de cores, formas, aplicações? Onde o branding explora a comunicação rígida, através de manuais com regras, sincronismos e utilizações fixas? Como ser cambiante num mundo onde cada vez se valoriza mais a unidade visual?

Simples: estudando a segmentação, o target e fundamentando que ter uma marca “mutável” é o melhor caminho.

Claro que esse pensamento não serve para qualquer marca, mas um pouco de versatilidade não faz mal a ninguém. Algumas marcas estão utilizando muito bem o conceito cambiante (o caso mais conhecido é o da MTV), mas, como sempre, algumas regras devem ser seguidas para que não haja uma má utilização do conceito. O estudo da utilização da metodologia cambiante é imprescindível para que o design possa fugir do convencional, mas a marca seja reconhecida exatamente por essa intercambialidade. Manter a personalidade da marca em evidência dentro do design cambiante é imprescindível. É deixar a forma, independente de qual seja, expressar o conteúdo.

Outro exemplo para a boa utilização do conceito cambiante foi o que a revista Raygun apresentou na década de 90. Para quem não conhece, a revista tinha conteúdo sobre comportamento, cultura pop e música, e seu projeto gráfico se adaptava a quem fosse o entrevistado de capa, fugindo de um padrão “normal”, inclusive na marca. A identificação do leitor ia além das palavras. O projeto gráfico gritava e, junto com as imagens, estimulava o leitor a participar do coletivo, a participar do mundo subjetivo e particular daquele entrevistado, isso tudo sem perder a personalidade da revista.

O design gráfico cambiante acompanha as mudanças de comportamento da sociedade, seja de maneira direta ou indireta, mas sempre se mostrando suscetível à evolução cultural, padrões de consumo, aos desdobramentos da história, tecnologia e até à economia.

Trocando em miúdos, o design cambiante acompanha e faz parte do que mais temos de importante no processo de desenvolvimento humano: nossa evolução.

 

Sandro Cavallote é publicitário, designer e webwritter.

Site: www.cavallote.com.br / Blog: www.allstarvelho.blogspot.com

Leitura imprescindível:  “Design Gráfico Cambiante”, de Rudinei Kopp. – Editora EDUNISC


3 Comentários so far
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[…] Por definição, o design cambiante não pode ser definido. É polimorfo. É amorfo. Surgiu durante as mudanças de conceitos entre o Modernismo e Pós-Modernismo, mas analisando a história do design gráfico de uma maneira mais intensa, podemos notar que ele sempre esteve lá para o olho mais apurado. O design cambiante segue o caminho de nossa própria história pois acompanha as mudanças não só da estrutura gráfica, mas do próprio ser humano. Se nossa cultura muda, invariavelmente nossas percepções em relação ao design mudam, fundindo-se com o ritmo desse desenvolvimento. É o acompanhamento da flexibilização não apenas do físico, mas do mental. Cambiar é estar sempre em transformação, sempre recebendo influências e referências, remoldando nosso pensamento, retrabalhando a aplicabilidade em tudo, até no design gráfico. LEIA MAIS. […]

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[…] isso é assunto para outro post, no entanto se você estiver muito curioso é só dar uma olhadinha aqui. Esta entrada foi publicada em Curiosidade e marcada com a tag cambiante, design, doodle, google, […]

Pingback por Doodles, “metamorfose” de uma marca | Camila Cortez




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