REVISTA VIRTUS


A dificuldade em conseguir espaço na área by falle criativo

emprego

Bem amigos, está é mais uma matéria do nosso amigo Sandro Cavallote, publicitário e profissional de criação, designer e autor do livro “365 – Um guia prático para futuros profissionais de Criação”. www.cavallote.com.br

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 Ontem recebi um e-mail de um designer que me fez parar para refletir um pouco sobre nossa área e como o mercado anda difícil, não somente para os que estão chegando agora, mas para os que estão formados. Essa pessoa (que não conheço, mas me deixou extremamente sensibilizado pela riqueza de detalhes sobre o que tem passado) está na mesma barca que muitos de nós: como trabalhar numa área que está hipervalorizada pelos vestibulandos, mas carece de respeito com o mercado?

Trocando em miúdos, a demanda está maior que a procura. Existem universidades em todos os lugares, oferecendo cursos de publicidade, marketing e design sem a menor preocupação com o conteúdo, simplesmente porque há procura pelo curso. A glamourização do mercado no final dos anos 90 fez com que muita gente sonhasse com os cargos e salários elevadíssimos dos publicitários. Culpa da mídia, dos profissionais daquela época e de nós, que os ouvimos e sentíamos uma necessidade claustrofóbica de estarmos “felizes” como eles. Engano da minha geração, que correu atrás do prejuízo de maneira ilusória. O resultado disso são profissionais que não conseguem recolocação profissional e partem para outra área. Mas será que estas pessoas estavam realmente dentro do contexto que a área exige?

Independente da faculdade onde você se formou, o mercado precisa de gente que goste de ler e informar-se, porque nenhuma instituição vai fazer isso por você. Aí um dos primeiros erros dos estudantes: achar que a faculdade faz muito pelo aluno. Exija mais dela, mas também exija mais de você. Os alunos que mais se deram melhor na minha época foram aqueles que não dependeram exclusivamente da formação. Seja curioso, corra atrás, tente, erre, se esforce e, principalmente, ouse. Mas tudo em sua época específica, porque trabalhar com comunicação e design é um aprendizado constante, até o final da sua carreira.

Sobre o mercado atual, o que posso dizer é que existem muitas agências e poucos empregos fixos. E há aí também uma falta de coerência mercadológica (dos empregadores e dos empregados) em relação a contratações. Agências que querem contratar a salários vergonhosos e sem nenhum benefício, e profissionais que, em troca de alguns trocados a mais, vendem-se para quem pagar mais, sem um desenvolvimento de carreira, como mercenários. Como se pode notar, estamos num “jogo de empurra”, onde cada um acha que está fazendo o que é mais justo, mas sem coerência alguma. O resultado disso são agências contratando estagiários como diretores de arte, recém-formados querendo salários altos sem experiência nenhuma e profissionais com mais experiência fugindo do meio desse tiroteio para trabalhar com consultoria e com jobs freelancers.

Mas onde se encaixa o rapaz do e-mail do início do texto?

Claro que um estudante não vai ganhar bem em início de carreira, mas o mercado precisa compreender que as pessoas precisam agregar experiência, por isso se sujeitam a ganhar um pouco menos para aprender. Eu mesmo fiz estágio na DPZ e não era remunerado, mas era a DPZ. Para isso conciliei minhas férias do trabalho efetivo para estagiar. Agora, o que eu tenho visto é que muitos empregadores estão usando essa demanda de profissionais para fazer leilão de emprego. Agências oferecendo R$ 650,00 para designers formados que precisam fazer impresso / web / fechamento de arquivo. Mas sabem o motivo pelo qual eles fazem isso? Porque as pessoas aceitam. Elas tem que pagar a faculdade? Claro, e isso é respeitável, assim como todo o esforço para estudar. Mas precisamos nos conscientizar que deve haver uma valorização da profissão. E somos nós, a minha geração que sonhou demais, e essa geração tão informatizada que parece querer tudo muito rápido que precisam dar esse pontapé inicial. Em algum ponto vamos precisar dizer “não” para quem quer funcionalismo escravagista e gritar “ei, eu tenho meu valor e sei do que estou falando, quero tornar-me um ser pensante e fazer as melhores campanhas para meu cliente. Para isso, você precisa investir em mim, não pagar apenas pelos meus dotes de Photoshop”.

Portanto, valorizem-se. Estudar é um investimento, mas aprender a dizer “não” é parte do processo, principalmente para aqueles que querem arrancar seu couro de tanto trabalhar. Se você gosta do que faz e tem certeza de que serve pra coisa, uma hora você vai se dar bem. Provavelmente não no momento que queira, mas com insistência e ousadia uma hora o tiro vai ser certeiro. Aí, meu amigo, prepare-se para correr para o abraço.

 


1 Comentário so far
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Essa matéria é muito interessante e nos faz pensar de verdade como o mercado está e que trabalhar com design é mais do que um processo técnico e que temos que suar muito e nos lançar na área.

Comentário por revistavirtus




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